Inspirado no poema “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias


Amplitude vislumbrada

é olhar o céu sereno.

Tanto quando enegrece

como quando está nascendo.


Ansiando o regresso

na qual o luar me suscita.

Suspirando a brisa leve

que de lá chegou macia.


Ao longe vêm crescendo

a revoada regressa.

Vêm trazendo de lá aromas

em suas asas dispersas.


Não são asas corriqueiras

próprias dos ares de lá.

Ainda sim sedenta a lembrança

que se pretende saciar.

Anúncios

Dedicado as noites em claro e aos amigos que me acompanharam nestas noites. Me sinto honrada com as mais sinceras demonstrações de companheirismo e afeto. Meus maiores agradecimentos devo a Karine, Rodrigo, Mateus, Marília, Vinny e Vítor!

Ao Mar.

Enquanto caminho solitária na praia, sinto meus pés cederem na areia fofa, meus ouvidos aguçam-se ao som do lamento do mar, sinto o cheiro salgado de suas lágrimas.

O mar esteve revolto a madrugada inteira.

Ao menos ele me consola, ao saber que não sou a única a sentir que algo externo a mim influência de tal forma que é como se houvesse um oceano inteiro dentro de mim. Tentando com toda sua fúria, romper, quebrar, morrer em cada poro meu, como se fossem grãos de areia de uma praia deserta.

Porém não vejo nada além dos dedos de meus pés, enrugados. Afundam-se, levantam-se sob a areia úmida.

E se a brisa agita meus cabelos soltos, temo atrever-me em erguer os olhos. Sentir gelar a alma ao notar qualquer olhar indagador a me fitar.

Prossigo… meus passos nunca cessam. Fórmula quase (in)certa de proteger meu eu de alguma invasão repentina. São sinais claros de quem não quer deixar-se notar: andar desacelerado, olhos baixos, cabelos a esconder a face.

Não vejo ninguém e nem quero notá-los. Ilusão trapaceira imaginar-me invisível ao olhar alheio. Ilusão que desce um véu branco em meus olhos e prepara sutis armadilhas.

O acaso arma-me então, sentimentos repentinos. Fico tão a flor da pele que qualquer coisa me comove. O perfume das orquídeas, o gritar das maritacas, o estalar de folhas secas, o andar descontraído de um cão brincalhão, o riso dos velhinhos sentados no banco da praça, a luz do sol aquecendo meu corpo.

Eles vêm sorrateiros, roubar-me o olhar. Nesse instante me perco, põe-se abaixo qualquer redoma criada anteriormente. Infelizmente (ou felizmente) me entrego. Nunca sei, se foi erro ou acerto, se me lembro ou se esqueço, se demonstro ou desapareço.

Ao final, os olhos se fecham e o mar arrebenta-se em mim. Um oceano, sim, aquele aprisionado em minh’alma… liberto. Quebra suas ondas nesta praia até então deserta, com águas arrebatadoras arrasta os grãos de areia para onde quer que vá. Grãos a correr e a bailar, fundindo-se com o mar. Sao meus poros e, como outrora, renderam-se.

Pois é não voltei na manhã que pretendia, ainda corro através do tempo, atrás de meu sonho. A primeira fase da EAD (Escola de Arte Dramática da USP) tá aí, é sábado, pra ser mais exata.

Mas não vim aqui pra falar disso certo! Ainda não conseguirei postar nada meu por enquanto, mas não poderia deixar de vir postar aqui um texto que todos deviam ler, portanto… Voilà!

Texto do Neto, diretor de criação e sócio da Bullet, sobre a crise mundial.

 ———–

“Vou fazer um slideshow para você.
Está preparado? É comum, você já viu essas imagens antes.
Quem sabe até já se acostumou com elas.
Começa com aquelas crianças famintas da África.
Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele.
Aquelas com moscas nos olhos.
Os slides se sucedem.
Êxodos de populações inteiras.
Gente faminta.
Gente pobre.
Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens.
No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto.
Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados.
São imagens de miséria que comovem.
São imagens que criam plataformas de governo.
Criam ONGs.
Criam entidades.
Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza.
Ano após ano, discutiu-se o que fazer.
Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo.
Resolver, capicce?
Extinguir.
Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta.
Não sei como calcularam este número.
Mas digamos que esteja subestimado.
Digamos que seja o dobro.
Ou o triplo.
Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse.
Não houve documentário, ong, lobby ou pressão que resolvesse.
Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia.”

Continuo a tatear as palavras. Furia imensa para escrever, milhares de idéias querem aflorar de minha mente, porém o véu do sono no momento se torna muito mais forte que eu. Parei de escrever esses dias, não por falta de tema e sim por falta de tempo. Quem sabe amanhã de manhã eu acorde com as idéias mais organizadas e a cabeça mais descansada. Não gosto de expor minha escrita quando esta acontecendo muita coisa ao mesmo tempo e eu não consigo reconhecer o que há dentro de mim e o que valhe a pena ser derramado sobre o papel, aqui neste caso o blog. (risos) Mas vou tentar voltar assim que puder. Prometo! Boa Noite e até mais ver.

De madrugada quando o sono foge em disparada
Acordam-me, janelas a me mirar
Olhos difarçados de amigo
Que se entregam ao mais ingênuo avistar
Denunciando a espera do ensejo
Não engana e nem quer se enganar
Somente suscita silenciosamente
Uma ânsia divergida, desmedida.

Daí então desata as mãos
Desfaz os nós
Permite-se coreografar
aquilo que já está decretado
Anúncio mudo, grito surdo
Protege para ter abrigo
Abriga sendo acolhido
Assim sente-se coroado
Para não descobrir-se perdido
Na insegurança de ser incompreendido

Pedido único, feito será.
Deixe que minhas ondas te carreguem
Pois ainda sei teus sins

e com certeza teus nãos.
Abranda-te!
Não espere indulgência
Ao pé do ouvido não se pede isso.

Atente! Tudo isso faz parte
da trama que armei pra você.
Inesperada não sou, nem pretendo ser.
Talvez um sobressalto ocorra quando ouvir dizer:
“Se eu disser que quero, será que você ainda vai querer?”


*Poema inspirado em “A Marte” de Bruno Brasil (http://www.youtube.com/watch?v=KqUBUi5dbF8)

Olha o que a insônia faz com a gente, isso não é hora pra escrever… é?! Vai entender como funciona minha criatividade, nem eu sei. (risos) Estou tentando por essas idéias no papel faz tempo e até que enfim saiu… ufaaa! Será que agora consigo dormir? É, acho que vou ali tomar um chá.

Boa madrugada pra todos que usam a noite pra coisas mais interessantes do que eu!

Há dias eu me sinto aprisionada nas palavras, sem saber como proceder quando necessito descrever meus sentimentos, tentando provar pra mim que preciso de discursos bonitos refletindo os ideais que foram sonhados enquanto estava acordada, nas quais muitos acreditam nunca se tornarem reais. Peno ao sentir o pouco valor dado pelas pessoas em geral a nossa arte de cada dia que brota de mãos e corpos, vozes e gritos que surgem pela cidade, em meio à massa cinzenta da multidão que corre em seu dia-a-dia egoísta e hostil. Massa essa que mal nota a beleza do cantar de passarinhos nas árvores do calçadão da Avenida São João em uma manhã ensolarada de um dia qualquer. Mas quando vejo rostos se destacarem em meio à escuridão, coloridos, radiantes, exultantes que se enchem de satisfação ao ver um simples e singelo sorriso brotar da boca de uma criança fazendo tudo tomar um novo sentido mesmo não tendo razão alguma. Mostrando que palavras são apenas um amontoado de letras e nada mais quando ultrapassadas pela força do sentir e do agir em busca de um sonho, provando que estas palavras pouco valem se não passarem para um plano real. O que a maioria julga mais importante não passa de meros números que provam alguma coisa a alguém, não demonstram o real sentido de viver. A arte de viver se encontra na beleza das pequenas, e pouco notadas, coisas do dia. É nesta força que está atada a esperança que se atreve a existir, dando a força necessária pra provar que não é preciso provar nada a ninguém somente a sonhar, acreditar e batalhar até alcançar os sonhos mais almejados.


Melca Medeiros

Texto um pouco antigo, (de 02 de maio deste ano) mas que reflete sentimentos um pouco recentes.

O dia começou meio tarde hoje, todos sabem como o horário de verão nos adianta no relógio e acaba por atrasar nossa rotina. Mas quem disse aqui que a rotina é coisa boa de viver, rompamos a cada segundo com essa rota habitual de sua existência, abra novos roteiros para a vida! Agora paremos com essa revolução (risos) e vamos ao que interessa.

A história do poema que vou postar é bem interessante, pois havia anos que não parava para escrever, coisa rara era isso acontecer, até que depois do show de lançamento do Galdino Octopus (http://www.galdino.mus.br/) sai do auditório da UNESP com uma fúria nas mãos e na mente, querendo derramar toda está furia em uma folha em branco, e é lógico que eu não tinha sequer um guardanapo e uma caneta na bolsa. Cheguei em casa e de tão cansada acabei adormecendo e deixando essa furia se abrandar em mim. Mas para minha surpresa, despertei no meio da madrugada. Aparentemente, sem nenhum motivo, era por volta das 5 da matina. Ao abrir os olhos sabia que ainda precisava ir atrás de saciar a minha sede da palavra. E no meio da escuridão somente iluminada pela parca luz de um celular velho, nascia “Se fez luz no ventre da palavra”  

Este poema foi o estopim de tudo que se seguiu até o nascimento deste blog…

 

Se fez luz no ventre da palavra

“Ontem anoiteci inspirada.
Cansaços me detiveram a escrita,
Adormeci dentre devaneios.
Hoje amanheci estranhada.
Ao notar-me dentro de um cubo,
Meio branco, meio sujo.
Borrado de formas e formatos,
Afixados a minha volta.
A minha volta, o meu retorno,
O meu desperto.
Varrendo o ar com os cílios
Conciliado ao despertar dos ouvidos,
Deixou-me apreensiva,
Ao sentir-me tateando palavras,
Letras entintadas em papel.
Para enfim permitir repouso
A estas camaradas
Que em soturno silício,
Raiam, despontam, nascem!
A partir de um impaciente resvalar da pena
Partem minh’alma,
Partem sem ir,
Parto sem choro.
E em um estrépito silêncio,
Breus diafanizados…
Somente restaram
Marcas nos dedos,
Luzeiro em mãos,
Esplendor aos olhos
E um sentimento anelo
Em algum lugar do eu
Borboleteando irreversível
Entranhando-se
Ao mais profundo
Mais pro fundo
Profundo
Fundo.”

Engraçado o que foi preciso pra finalmente esse blog surgir, mas depois do que aconteceu ontem não poderia ignorar mais o fato de que a escrita já faz parte da minha vida, mesmo negando isso a tanto tempo.

Então me deparei com o seguinte pensamento: “Porque esse medo? De mostrar, expor, quem você é e o que você é, através daquilo que fica entre as palavras e o coração, entre a escrita e a razão”.

Cheguei a conclusão que para a libertação total da alma, do ser, do estar, do viver plenamente, surge quando nos livramos dos nós que nos atam as nossas crendices malucas e aos nossos “o que pensaram de mim?” ou ainda “não vou arriscar decepções mútuas!” daí então nos privamos de momentos que se fariam essenciais em nossas vidas.

Portanto só tenho a agradecer aos dias cheios de vida e descoberta que me foram permitidos ultimamente que me fizeram acordar pra mais uma das realidades que estavam o tempo todo na frente do meu nariz e que não podia ver pois um véu de “razão massificada” cobria meus olhos.

Isso é um pouco das idéias que me inundam agora neste momento de luz.

Agradecimentos que não poderiam passar em branco: a todos que estavam no show do Galdino ontem, a linda e iluminada Ro que declamou tão lindamente os trechos do poema, ao Galdino que me surpreendeu ao colocar o poema em Loa ao Luar, a todos que acreditam em mim e aos que não acreditam também, a todas minhas conquistas e a todos os meus fracassos. Sem estes não seria possível a existência desde blog e de outros tantos momentos em meus dias.

Ps: amanhã posto o poema do show! =)