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Dia do Teatro nesse fim de semana, certo? Acho que só me liguei desse dia alguns minutos atrás (isso quando comecei a escrever esse texto de madrugada), ok sou péssima pra datas, assumo. Mas confesso que veio bem a calhar com o momento reflexivo que venho vivendo e que talvez somente seja a tomada de consciência de um estado da qual é parte do indivíduo que vive em um meio. E tentando justificar pra mim porque estou escrevendo isso, para quem, porque nesse momento e porque nunca antes fiz isso me leva a pensar que prosseguir o texto pode me levar a elucidar algumas questões. O fato é que talvez esse tipo de texto não se encaixe a proposta deste blog, mas por enquanto isso aqui é só uma escrita a fim de uma possível experimentação de outro viés de ideias para gerar um espaço de reflexão. Mas paremos com esse enrolação e vamos logo ao que mais interessa.

Porque fazer teatro e qual a responsabilidade social e política que esta escolha carrega?

Esses tempos venho questionando muito o porque do ato cênico, do fazer teatral. Esse questionamento permeia o ator a vida inteira, mas isto se coloca de uma maneira muita mais viva e forte a minha frente nos últimos tempos. Talvez isso tenha se iniciado com esse questionamento central do porque fazer teatro que a Renata Zanetha lançou aos alunos na primeira semana de aulas. E neste ano coloquei pra mim que estudaria mais afundo coisas do meu interesse teatral, além das aulas da professora Simoni Boer, de interpretação e direção teatral que estão cada vez mais me provocando à reflexão. O fato é que não tem como negar o que pra mim está mais que claro. Tinha uma pretenção de estudos que está ficando cada vez mais distante de mim por reflexões que me aproximam de outros temas.

Ao meu ver o teatro deve ocupar um lugar mais ativo dentro da sociedade, um local de conversa, reflexão, debate, confrontação de ideias. Então porque se utilizar de um material dramático muitas vezes muito rico e crítico de maneira “encantada”, “maquiada” a fim de se disfarçar as possíveis e interessantes intenções do texto frente a realidade social e política onde vivemos? Entendo para mim cada vez mais que essa maneira de ver e fazer o teatro é a maneira que coloca o público distante da realidade a qual vive, sendo alienadas e anestesiadas. Pois não interessa que o público pense a respeito de assuntos nas quais poderia mudar alguma coisa. Mas porque? Porque a classe artística ou é essencialmente burguesa ou “aburguesou-se” por comodismo e nesse momento eu paro, olho para mim… mera estudante de teatro, bolsista em uma instituição privada (balcão de venda de diplomas) que mal sabe o que quer e pra onde vai com tudo isso mas que não por isso se acomoda. O porque disso talvez eu saiba, só não consigo explicar muito bem em palavras e o que me incentiva a descobrir essa minha tal verdade é saber que ainda existe o periférico, o suburbano, o marginal e a força política e social humana que só precisa ser incentivada nesses meios. Porque as coisas não deveriam se resumir a uma única via de caminho, uma via burguesa e capitalista que massifica e oprime o indivíduo e seu coletivo.

Enfim, qual é a responsabilidade social e política quando se abraça a luta de ser artista? O que se escolhe como proposta de vida? Qual a decisão a ser tomada?

É possível escolher fazer um teatro sem relações com a realidade que vivemos construindo um mundo para a ilusão da qual interessa a alienação e massificação. Mas também é possível fazer um teatro que converse com a realidade, que considere o público que o vê, que cria vínculos, relações, discussões e produção de trabalho crítico. O que se coloca entre estas duas formas é a escolha. A escolha de vida, social e política, que irá refletir no que o artista irá se tornar para si e para a sociedade.