Sou fugidia sim na grande maioria das vezes… “sou tão a flor da pele que tudo me comove” e eu corro disso e ainda tento entender o motivo, deve ser porque minha pele se arrebenta por qualquer gota de orvalho e eu já levei ondas demais nas costas.

Já fui de várias outras formas, de diversos jeitos, com diferentes intensidades. Já escancarei a porta, já fiz ouvir meu grito, já morri no abismo, já emudeci, já chorei sentada no chão do banheiro, já quis morrer, já quis renascer, já corri na chuva, pulei em poças d’água, brinquei de ser feliz eternamente, já amei, sofri e mudei… mudei e mudo a cada segundo. Sou a mutação personificada que vaga em meio a luzes e a escuridão do meu eu.

Hoje, não sei se por medo, tensão, dor, ansiedade ou paz sou mais pé no chão. Mas muito do que sou, do que sinto, continua aqui dentro, quieto, guardado, adormecido, difícil de ser tocado, de ser acessado… até mesmo por mim. As vezes acho que dentro desse ser pequenino que sou não há sentimento algum, mas de repente acontecem momentos que surpreendem mais a mim do que a qualquer um.

São esses momentos onde sou mais forte e mais frágil ao mesmo tempo, mais forte pois o medo de dizer o que sinto desaparece e mais frágil porque qualquer coisa é capaz de me ferir, se tiver essa intenção. Talvez por isso esses momentos tenham se tornado tão raros, já que as vezes o preço a ser pago não compensa.

E se realmente algo aqui dentro sentir que não compensa, não sou eu quem decido, simplesmente acontece… e essa fechadura estranha que tenho aqui, na qual eu nunca consegui a chave, pode se trancar e demorar pra ser acessada novamente.

Lógico que eu tenho um domínio mínimo sobre isso, eu acho, a ponto de escolher a predisposição pra que momentos como esses tornem a acontecer. Mas não forço mais como antigamente, deixo-os vir naturalmente, então não espere a mesma atitude daqui alguns minutos, ela virá novamente, mas não com tanta facilidade assim…



Valorizo cada inspirar e expirar da alma, podem ser os últimos e se eu os perder, vou me arrepender pro resto da vida.

[Texto sem edição, sem correções e sem revisões. Somente o desabafo frio de um início de uma longa noite de domingo]

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