Nesse feriado aconteceram coisas boas mas algumas coisas ruins vieram me assombrar, ainda bem que as coisas boas superaram as ruins, porém não posso deixar de escrever a respeito do que penso em relação à algumas coisas. Provavelmente esta postagem soará mais como um desabafo, se quiser ler siga em frente, se não isso não é um problema meu, essa escrita de hoje é muito mais pra mim do que pra qualquer um.

Ao final das contas, existe somente a solidão. Existem abismos que só você conhece, só você os habitou, só você os visita. Eles estarão sempre ali, como companheiros te dizendo quem você é ou se tornou, eles fazem parte de você, não tem como ignorá-los ou tentar se livrar deles. E por mais que alguém te ouça, nunca ninguém saberá por completo o que se passa ali dentro, dentro do teu peito. Só você sabe, só você saberá. Isso não é uma frustração, é um fato.

Portanto é uma tarefa fácil apontar o dedo na cara de alguém e falar. Falar que existe um molde correto de vida, um jeito adequado de agir, uma forma certa de pensar. Cada um vive a seu modo, isso deveria ser uma escolha. Não existe o errado ou não deveria existir, talvez exista no máximo o que é aceito ou não na sociedade. Não estou falando de sair e fazer o que bem entender da vida, desrespeitando o espaço e o limite dos outros. Estou falando em se respeitar, respeitar o próprio espaço e da existência desse respeito por parte de todos como questão pertinente e não como um simples fingimento.

Uma vez ouvi falar de uma pessoa muito sábia que para estar disponível era preciso saber ouvir e ter os pés descalços. Quem disse isso foi Eugênio Barba a respeito do trabalho no teatro. Pra mim isso se aplica a vida, estar disponível em enxergar as pessoas em seus mundos, ver a beleza contida em cada uma dessas almas e não simplesmente ver como mais uma na multidão, mais uma que não age conforme o que você acha correto, conforme o seu padrão de felicidade. Cada um deveria ter preferências e escolhas no seu próprio mundo, alguns tem, outros tantos não.

Vou contar o que existe no meu mundo. Lá é tudo muito confuso, poderia até lembrar um quadro surrealista se fosse representado em uma tela, nem eu sei tudo o que existe nele. Há portas que já abri, lá descobertas importantes acontecem na minha vida, lá que eu vivo.  Outras portas mais eu abri: vivi o que precisava viver, vi o que precisava ver, aprendi o que precisava aprender e daí eu as fechei, elas ainda existem lá como lembrança mas são lugares nas quais não preciso mais habitar. Eu disse que meu mundo era confuso, às vezes ele beira o absurdo, em alguns momentos demonstra paradoxos, existem caminhos confusos e contraditórios mas existem algumas certezas que mantém meu mundo pulsando e uma dessas certezas é a arte. A arte é uma das predominâncias no meu mundo. Ela me propõe um caminho árduo, difícil mas é o meu caminho, aquele que escolhi trilhar, tendo a consciência de que essa escolha me implica diversos obstáculos. Não encontrei o caminho exato ainda, talvez eu viva, envelheça e morra pra encontrar esse caminho. É preciso uma vida para ter um pequeno vislumbre de quem nós somos.

Descobri o meu mundo apanhando, caindo, chorando, me despedaçando e me colocando de pé, sempre. Não que eu não vá cair nunca mais, mas manter o pulso, o movimento para ter o coração quente e os ossos firmes para prosseguir. Por isso não me arrependo de minhas escolhas, sou feliz como sou e com tudo que acontece comigo, porque é isso que me faz mais forte.

A tristeza bate a porta as vezes e as vezes ela simplesmente entra. Mas ela vem, toma um chá e logo se vai, porque não permito que ela fique. A felicidade sempre tem fim isso não significa que a tristeza seja eterna. A tristeza é aquilo o que você faz dela, por isso eu nunca deixo que ela fique por muito tempo.

Nesse momento eu penso, porque estou escrevendo esse texto? Pra quem? Pra que? Não preciso de justificativas pra ser, simplesmente sou. Como já disse no começo do texto, essa escrita é pra mim. Se você chegou até aqui eu te pergunto, importa o que eu escrevo aqui pra mim ou o que você escreve pra você na sua vida? Qual é o seu mundo? E o mundo das pessoas ao seu redor? Eles conseguem coexistir? Você cria o seu mundo ou deixa que criem ele pra você? São perguntas que me faço e espero que um dia as pessoas se perguntem também, cada uma a seu tempo.
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