Dedicado as noites em claro e aos amigos que me acompanharam nestas noites. Me sinto honrada com as mais sinceras demonstrações de companheirismo e afeto. Meus maiores agradecimentos devo a Karine, Rodrigo, Mateus, Marília, Vinny e Vítor!

Ao Mar.

Enquanto caminho solitária na praia, sinto meus pés cederem na areia fofa, meus ouvidos aguçam-se ao som do lamento do mar, sinto o cheiro salgado de suas lágrimas.

O mar esteve revolto a madrugada inteira.

Ao menos ele me consola, ao saber que não sou a única a sentir que algo externo a mim influência de tal forma que é como se houvesse um oceano inteiro dentro de mim. Tentando com toda sua fúria, romper, quebrar, morrer em cada poro meu, como se fossem grãos de areia de uma praia deserta.

Porém não vejo nada além dos dedos de meus pés, enrugados. Afundam-se, levantam-se sob a areia úmida.

E se a brisa agita meus cabelos soltos, temo atrever-me em erguer os olhos. Sentir gelar a alma ao notar qualquer olhar indagador a me fitar.

Prossigo… meus passos nunca cessam. Fórmula quase (in)certa de proteger meu eu de alguma invasão repentina. São sinais claros de quem não quer deixar-se notar: andar desacelerado, olhos baixos, cabelos a esconder a face.

Não vejo ninguém e nem quero notá-los. Ilusão trapaceira imaginar-me invisível ao olhar alheio. Ilusão que desce um véu branco em meus olhos e prepara sutis armadilhas.

O acaso arma-me então, sentimentos repentinos. Fico tão a flor da pele que qualquer coisa me comove. O perfume das orquídeas, o gritar das maritacas, o estalar de folhas secas, o andar descontraído de um cão brincalhão, o riso dos velhinhos sentados no banco da praça, a luz do sol aquecendo meu corpo.

Eles vêm sorrateiros, roubar-me o olhar. Nesse instante me perco, põe-se abaixo qualquer redoma criada anteriormente. Infelizmente (ou felizmente) me entrego. Nunca sei, se foi erro ou acerto, se me lembro ou se esqueço, se demonstro ou desapareço.

Ao final, os olhos se fecham e o mar arrebenta-se em mim. Um oceano, sim, aquele aprisionado em minh’alma… liberto. Quebra suas ondas nesta praia até então deserta, com águas arrebatadoras arrasta os grãos de areia para onde quer que vá. Grãos a correr e a bailar, fundindo-se com o mar. Sao meus poros e, como outrora, renderam-se.

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