Há dias eu me sinto aprisionada nas palavras, sem saber como proceder quando necessito descrever meus sentimentos, tentando provar pra mim que preciso de discursos bonitos refletindo os ideais que foram sonhados enquanto estava acordada, nas quais muitos acreditam nunca se tornarem reais. Peno ao sentir o pouco valor dado pelas pessoas em geral a nossa arte de cada dia que brota de mãos e corpos, vozes e gritos que surgem pela cidade, em meio à massa cinzenta da multidão que corre em seu dia-a-dia egoísta e hostil. Massa essa que mal nota a beleza do cantar de passarinhos nas árvores do calçadão da Avenida São João em uma manhã ensolarada de um dia qualquer. Mas quando vejo rostos se destacarem em meio à escuridão, coloridos, radiantes, exultantes que se enchem de satisfação ao ver um simples e singelo sorriso brotar da boca de uma criança fazendo tudo tomar um novo sentido mesmo não tendo razão alguma. Mostrando que palavras são apenas um amontoado de letras e nada mais quando ultrapassadas pela força do sentir e do agir em busca de um sonho, provando que estas palavras pouco valem se não passarem para um plano real. O que a maioria julga mais importante não passa de meros números que provam alguma coisa a alguém, não demonstram o real sentido de viver. A arte de viver se encontra na beleza das pequenas, e pouco notadas, coisas do dia. É nesta força que está atada a esperança que se atreve a existir, dando a força necessária pra provar que não é preciso provar nada a ninguém somente a sonhar, acreditar e batalhar até alcançar os sonhos mais almejados.


Melca Medeiros

Texto um pouco antigo, (de 02 de maio deste ano) mas que reflete sentimentos um pouco recentes.

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