O dia começou meio tarde hoje, todos sabem como o horário de verão nos adianta no relógio e acaba por atrasar nossa rotina. Mas quem disse aqui que a rotina é coisa boa de viver, rompamos a cada segundo com essa rota habitual de sua existência, abra novos roteiros para a vida! Agora paremos com essa revolução (risos) e vamos ao que interessa.

A história do poema que vou postar é bem interessante, pois havia anos que não parava para escrever, coisa rara era isso acontecer, até que depois do show de lançamento do Galdino Octopus (http://www.galdino.mus.br/) sai do auditório da UNESP com uma fúria nas mãos e na mente, querendo derramar toda está furia em uma folha em branco, e é lógico que eu não tinha sequer um guardanapo e uma caneta na bolsa. Cheguei em casa e de tão cansada acabei adormecendo e deixando essa furia se abrandar em mim. Mas para minha surpresa, despertei no meio da madrugada. Aparentemente, sem nenhum motivo, era por volta das 5 da matina. Ao abrir os olhos sabia que ainda precisava ir atrás de saciar a minha sede da palavra. E no meio da escuridão somente iluminada pela parca luz de um celular velho, nascia “Se fez luz no ventre da palavra”  

Este poema foi o estopim de tudo que se seguiu até o nascimento deste blog…

 

Se fez luz no ventre da palavra

“Ontem anoiteci inspirada.
Cansaços me detiveram a escrita,
Adormeci dentre devaneios.
Hoje amanheci estranhada.
Ao notar-me dentro de um cubo,
Meio branco, meio sujo.
Borrado de formas e formatos,
Afixados a minha volta.
A minha volta, o meu retorno,
O meu desperto.
Varrendo o ar com os cílios
Conciliado ao despertar dos ouvidos,
Deixou-me apreensiva,
Ao sentir-me tateando palavras,
Letras entintadas em papel.
Para enfim permitir repouso
A estas camaradas
Que em soturno silício,
Raiam, despontam, nascem!
A partir de um impaciente resvalar da pena
Partem minh’alma,
Partem sem ir,
Parto sem choro.
E em um estrépito silêncio,
Breus diafanizados…
Somente restaram
Marcas nos dedos,
Luzeiro em mãos,
Esplendor aos olhos
E um sentimento anelo
Em algum lugar do eu
Borboleteando irreversível
Entranhando-se
Ao mais profundo
Mais pro fundo
Profundo
Fundo.”

Anúncios